Maputo

Maputo
Da minha janela...

domingo, agosto 24, 2008

Alegria no céu...

Naquela manhã, no Hospital Central de Maputo, a Alice percebeu que o Artur não estava bem. A quimioterapia parecia ter parado de fazer efeito, e este menino de 2 anos que a "tia Alice" visitava regularmente, não estava como nos outros dias.

De tarde, já no regresso ao Hospital, o telefone tocou ainda dentro do carro! A chamada vinha da Oncologia e a notícia parecia inevitável - o Artur rendeu-se ao cancro e já "não existe mais".

Agora é a vez da Adélia, que precisa de ser encorajada com as palavras e orações da missionária. Adélia, a mãe derrotada, que terá de voltar à provincia de mãos vazias, com a capulana dobrada na saca, já tinha pedido várias vezes que a Alice intercedesse junto da médica para a deixar ir embora para Inhambane, preferindo talvez que o Artur dissesse adeus na sua terra, deitado na esteira que o viu nascer, embalado pelos canticos em dialecto.

Mas não foi assim que aconteceu. O Artur morreu na cidade, e não voltará à aldeia. Os seus ossos juntar-se-ão aos milhares que enchem a "secção do bébés" do esgotadissimo cemitério de Lhanguene.

Na Oncologia, as outras mães sentem pelo Artur, sentem pela Adélia, mas sentem principalmente pelos seus filhos, por acharem que serão as próximas.

Aqui a morte não aparece de surpresa! De surpresa, isso sim, aparece a vida!

quinta-feira, agosto 21, 2008

Parabéns Nelson!


Nelson Évora conquista o "ouro" no Triplo Salto Masculino.

sábado, agosto 16, 2008

União Futebol Clube

Hoje foi o primeiro dia do resto da vida desta equipa.


Pela primeira vez em bastantes meses de trabalho, envergaram os novos equipamentos azuis e brancos com uma particularidade nunca antes vista:
Ansiedade para os jogadores, surpresa para os espectadores e equipa adversária, que coisa é esta de colocar tais palavras nas costas dos jogadores, a que chamamos Valores?!

Trata-se apenas de um trabalho que vem sendo feito fora das quatro linhas, na transmissão daquilo que são não apenas os principios ou qualidades que um atleta deve ter dentro do campo, mas, efectivamente das qualidades que todos precisam de ter no outro jogo muito mais complexo - o jogo da Vida.

Um desafio para eles próprios ao envergarem tais valores, uma oportunidade de reflexão para quem lê, e uma semente de educação e transformação de uma sociedade carente.

A caminho do Estádio do Mahafil...



Nos balneários ao ar-livre...

Aquecimento...

Banco dos suplentes...

sábado, agosto 09, 2008

Citius, Altius, Fortius


Começaram os Jogos Olimpicos, o maior evento desportivo à face da Terra.

Mais de 10,000 atletas vindos de 205 países e regiões do mundo lutarão durante 17 dias para conquistar as 302 medalhas de ouro em 28 modalidades.

Apenas alguns alcançarão o ouro, mas todos correrão por ele!

Há mais de 2000 anos, o apóstolo Paulo disse estas palavras:
"Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos na verdade, correm, mas um só leva o prémio? Correi de tal maneira que o alcanceis."

Para a maior parte dos atletas olimpicos a luta pela glória desportiva durará apenas 4 anos. Para outros, existe um prémio que vai muito além do ouro - a experiência de uma vida com significado e propósito eterno.

É o caso de Eric Liddel, atleta e missionário escocês na China, que em 6 de Julho de 1924 chocou o mundo do desporto ao desistir de correr a eliminatória dos 100 mt, nos Jogos Olimpicos de Paris, por uma convicção de fé.

Eric Liddel acabou por participar na prova de 400 mt, onde conquistou a medalha de ouro, e bateu o record do mundo.

Após a sua participação olímpica, Liddell regressou ao norte da China, servindo como missionário nas cidades de Tianjin e Siaochang, entre 1925 e 1943. Durante esta estadia na China, Eric for ordenado pastor em 1932, e conheceu e casou com Florence Mackenzie, de origem canadiana, em 1934. Deste matrimónio resultaram três filhas: Patricia, Heather e Maureen. Nas décadas de 1930 e 1940 a China era um território extremamente perigoso, devido à invasão japonesa e aos conflitos subsequentes, relacionados com a II Guerra Mundial. Nesse contexto, Liddell providenciou para que Florence e as filhas fossem evacuadas para o Canadá em 1941, permanecendo ele próprio em território chinês, até ser internado num campo de concentração das forças japonesas, juntamente com outros cidadãos britânicos e norte-americanos, em 1943. Aí faleceu, provavelmente devido a um tumor cerebral e a um surto de febre tifóide, em 1945.

Pessoas que lidaram de perto com ele descrevem-no como alquém que "vivia acima daquilo que pregava".